quinta-feira, 18 de abril de 2013

Nosso mundo, nossos tempos, mais do que nunca é preciso aprender a apreender



Vivemos uma época histórica da humanidade demarcada por mudanças profundas nas diversas formas de sociabilidade, cujos traços mais destacados são os processos e complexos que enfeixam a circularidade e a multidisciplinaridade que abarcam os sujeitos coletivos em fenômenos globais.

Um mundo veloz no universo aberto, interligado em sistemas comunicativos que, em muitas situações, deixam as pessoas isoladas nas suas relações virtuais. Uma contradição de base, nesses novos tempos: a internet nos propicia contatos imediatos com os mais remotos lugares do globo terrestre e até fora da nossa morada terrena, nas estações espaciais, em breve, nas primeiras colônias de exploração da Lua e de Marte.
O meu mundo pode se resumir à minha máquina, para trabalhar, estudar, viajar, alimentar e até amar. Um novo mundo, este que se conforma na interação de velhas estruturas que ainda permanecem e determinam muitas das nossas formas de ser e ir sendo. A sociedade em que vivemos, com as suas angústias, medos, injustiças, conquistas, realizações e destruições, repousa sobre um alicerce frágil: a possibilidade imediata de catástrofes produzidas pelos próprios humanos, com a enorme capacidade destrutiva armazenada em milhares de ogivas atômicas.

Caminha a humanidade, no solo frágil da sociabilidade humana, repousando sobre uma “casca de noz” - na afirmação do físico britânico, Stephen Hawking. Os diversos complexos que se interagem e se influenciam, sob a regência inexorável do capital, condiciona a sociedade humana sob o risco permanente de um retorno à barbárie, nessa nova época histórica destruição da natureza e esgotamento de recursos naturais ainda considerados estratégicos. A sacralização do lucro, no altar do mercado, suprassume espaços de possibilidade de humana autêntica. Para além do capital se apontam indicativos de uma nova sociabilidade, possível e necessária, mas ainda distante dos nossos horizontes imediatos.

A filosofia, levantando as suas asas ao entardecer, na bela expressão de Hegel, pode e deve examinar esse nosso mundo, na sua nova época histórica, analisando de maneira crítica a realidade dos complexos que enfeixam as determinações humanas, apontando perspectivas e caminhos, cuja efetividade só se torna possível com a execução prática da apreensão analítica. 

A Filosofia se instaura com o existente, real concreto ou realização imaginária, buscando, no perpassar dos ciclos civilizatórios, dos quais participamos independente das nossas vontades individuais, apontar dúvidas e questionamentos, mais do que propor certezas ou verdades absolutas. Por isso a necessidade da ação, como instrumento de validade da análise. Hoje, o mesmo espanto e curiosidade dos primeiros pensadores ainda são métodos pertinentes e válidos. Precisamos nos espantar diante desta realidade desumanizada, para exercitarmos a curiosidade do entendimento e da apreensão que se desdobra nas formas possíveis de ação.


 Curso de Filosofia ad Hominem
filosofiaadhominem@gmail.com

Nenhum comentário:

Postar um comentário