quinta-feira, 18 de abril de 2013

A internet como ameaça à civilização humana, uma advertência de Julian Assange





         Com o título de “Cypherpunks: liberdade e o futuro da internet”, a Boitempo Editora publicou o primeiro livro de Julian Assange, editor-chefe do WikiLeaks, lançado no Brasil. A edição tem a colaboração do filósofo esloveno Slavoj Žižek e dajornalista Natalia Viana, parceira do WikiLeaks no Brasil
O livro trás reflexões de Assange e de pensadores rebeldes e ativistas de vanguarda, entre eles Jacob Appelbaum, Andy Müller--Maguhn e Jérémie Zimmermann que se destacam nas lutas  em defesa da internet livre. A questão central reflete a comunicação eletrônica, se ela vai nos emancipar ou nos escravizar.
A constatação dos autores é preocupante. Em que pese a revolução do ciberespaço. Julian Assange considera a possibilidade de ameaça à civilização, em decorrência de repressão no mundo on-line.
A perseguição aos membros do WikiLeaks e aos demais ativistas da internet, a tentativa de impor legislações restritivas ao compartilhamento de arquivos, situações nas quais eles apontam o Sopa (Stop Online Piracy Act) e do Acta (Anti-Counterfeiting Trade Agreement), com a adoção de políticas que levam a internet a alguns paradoxos.
O que está em jogo, segundo a expressão dos autores livro, é o embate entre "privacidade para os fracos e transparência para os poderosos". Isso corresponde à existência de laços empresariais público-privados, através dos quais governos e as grandes empresas transnacionais podem ter controle sobre os usuários de internet sem revelar as suas próprias atividades e muito menos prestar contas das suas ações.
Vários problemas são abordados, como a lavagem de dinheiro, drogas, terrorismo e pornografia infantil, denominados de “quatro cavaleiros do Infoapocalipse”, para os quais são legítimos e necessários mecanismos de vigilância. Também trabalham a hipótese quanto ao Facebook e o Google se transformarem na maior máquina de vigilância já criada pela civilização humana. Podem rastrear, localizar e vigiar os contatos e os movimentos das pessoas na internet, as quais se transformariam em dóceis colaboradores. O que fazer? Há saídas para assegurar a liberdade no ciberespaço?
São temas fundamentais que Assange e os demais autores do livro trazem ao debate, relacionados à censura, à liberdade e os movimentos para impedir que a internet seja apropriada por governos e empresários. São meios que podem resultar em profundas mudanças sociais e políticas, de acordo com os rebeldes cypherpunks, movimento surgido em 1980, que têm em Julian Assange um dos seus principais colaboradores.
Confinado na Embaixada do Equador, Assange, redigiu o Cypherpunks que aponta, segundo o filósofo Slavoj Žižek, “uma tendência muito mais ampla e perigosa: nossas instituições políticas e jurídicas estão empenhadas em,  sistematicamente,  censurar e restringir os potenciais democráticos da nova mídia digital. É por essa razão que o livro de Assange constitui uma leitura obrigatória para qualquer pessoa interessada na realidade de nossas liberdades.”
O cineasta Oliver Stone indica o Cypherpunks como uma leitura imprescindível, para a compreensão do “controle corporativo e governamental da internet”, o que coloca em risco a democracia e a liberdade das pessoas.
É preciso saber que  tudo o que fazemos na internet ou no celular é monitorado por serviços de inteligência militar. E o livro, de acordo com o próprio Assange, não é um manifesto, mas um alerta.

Sebastião Soares – Filósofo, jornalista, escritor.
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        O que é o movimento do WiliLeaks

WikiLeaks é uma organização internacional sem fins lucrativos, sediada na Suécia, que publica no seu site documentos, fotos e informações confidenciais de governos ou empresas, sobre assuntos sensíveis. A página foi lançada em dezembro de 2006 e, em meados de novembro de 2007, já continha 1,2 milhão de documentos. 
Seu principal editor e porta-voz é o australiano Julian Assange, jornalista e ciberativista que se encontra exilado na embaixada do Equador, em Londres, para não ser extraditado para os Estados Unidos, onde poder ser condenado à prisão perpétua.
Ao longo de 2010, WikiLeaks publicou grandes quantidades de documentos confidenciais como o ataque do helicóptero Apache, dos Estados Unidos, em Bagdá,  que matou dois jornalistas da agência Reuters além de outras dez pessoas. Revelou a crueldade no tratamento de prisioneiros na prisão militar norte-americana em Guantánamo, Cuba, publicando cópia de um manual de instruções.
A WikiLeaks divulgou ainda documentos secretos relatando a  morte de milhares civis inocentes no Afeganistão, executados pelo exército dos Estados Unidos, entre outros documentos guardados a mil chaves pelo governo norte-americano.
Em 2011, o WikiLeaks foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz, pela sua contribuição para a liberdade de expressão e transparência" , ao divulgar informações sobre corrupção, violações dos direitos humanos e crimes de guerra. Claro que, por pressões de empresas e governos, não teve a menor chance de ganhar 

Nosso mundo, nossos tempos, mais do que nunca é preciso aprender a apreender



Vivemos uma época histórica da humanidade demarcada por mudanças profundas nas diversas formas de sociabilidade, cujos traços mais destacados são os processos e complexos que enfeixam a circularidade e a multidisciplinaridade que abarcam os sujeitos coletivos em fenômenos globais.

Um mundo veloz no universo aberto, interligado em sistemas comunicativos que, em muitas situações, deixam as pessoas isoladas nas suas relações virtuais. Uma contradição de base, nesses novos tempos: a internet nos propicia contatos imediatos com os mais remotos lugares do globo terrestre e até fora da nossa morada terrena, nas estações espaciais, em breve, nas primeiras colônias de exploração da Lua e de Marte.
O meu mundo pode se resumir à minha máquina, para trabalhar, estudar, viajar, alimentar e até amar. Um novo mundo, este que se conforma na interação de velhas estruturas que ainda permanecem e determinam muitas das nossas formas de ser e ir sendo. A sociedade em que vivemos, com as suas angústias, medos, injustiças, conquistas, realizações e destruições, repousa sobre um alicerce frágil: a possibilidade imediata de catástrofes produzidas pelos próprios humanos, com a enorme capacidade destrutiva armazenada em milhares de ogivas atômicas.

Caminha a humanidade, no solo frágil da sociabilidade humana, repousando sobre uma “casca de noz” - na afirmação do físico britânico, Stephen Hawking. Os diversos complexos que se interagem e se influenciam, sob a regência inexorável do capital, condiciona a sociedade humana sob o risco permanente de um retorno à barbárie, nessa nova época histórica destruição da natureza e esgotamento de recursos naturais ainda considerados estratégicos. A sacralização do lucro, no altar do mercado, suprassume espaços de possibilidade de humana autêntica. Para além do capital se apontam indicativos de uma nova sociabilidade, possível e necessária, mas ainda distante dos nossos horizontes imediatos.

A filosofia, levantando as suas asas ao entardecer, na bela expressão de Hegel, pode e deve examinar esse nosso mundo, na sua nova época histórica, analisando de maneira crítica a realidade dos complexos que enfeixam as determinações humanas, apontando perspectivas e caminhos, cuja efetividade só se torna possível com a execução prática da apreensão analítica. 

A Filosofia se instaura com o existente, real concreto ou realização imaginária, buscando, no perpassar dos ciclos civilizatórios, dos quais participamos independente das nossas vontades individuais, apontar dúvidas e questionamentos, mais do que propor certezas ou verdades absolutas. Por isso a necessidade da ação, como instrumento de validade da análise. Hoje, o mesmo espanto e curiosidade dos primeiros pensadores ainda são métodos pertinentes e válidos. Precisamos nos espantar diante desta realidade desumanizada, para exercitarmos a curiosidade do entendimento e da apreensão que se desdobra nas formas possíveis de ação.


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É mais fácil engolir regras do que enfrentar a si mesmo!


Conceitos e regras que definem dois extremos, tais como certo ou errado, bom ou ruim e vítima ou vilão servem muito mais para nos acomodar numa posição engessada e estagnante do que para nos impulsionar em direção ao amadurecimento tão essencial em nossos relacionamentos.

Outro dia, estava me questionando o que – no mais profundo de nosso íntimo – faz as pessoas sentirem tanta dor ao serem traídas ou tanta culpa (ainda que inconscientemente) ao ficar com outra pessoa...
E para começar a minha reflexão, me pareceu muito óbvio a serviço de que estão dor e culpa. Quando nos sentimos traídos ou traidores, todas as nossas convicções ficam estremecidas e nos vemos diante de nós mesmos, tendo de encarar nossas escolhas, questionar nossos sentimentos e revisar nossos valores.

Este intenso e importante exercício é o que nos remete à dor e à culpa, porque nos damos conta do quanto ainda temos a descobrir sobre nós mesmos; o quanto ainda somos tomados por sentimentos pequenos, mesquinhos e limitantes, como posse, orgulho, tentativa de controlar o outro e a vida, inveja, insegurança, falta de auto-estima, de compreensão, etc.
Entretanto, é tão mais fácil justificar o que sentimos a partir da atitude do outro – seja a que nos colocou na posição de traídos; seja a que nos parece ter nos motivado a trair, pois tudo o que queremos é que a responsabilidade não recaia diretamente sobre nós e nossos próprios desejos e atitudes...

Mas justificar o que somos – ou o que não somos – a partir do outro é o que temos feito sempre! Chega! Está na hora de começarmos a assumir que somos e fazemos e sentimos aquilo – e somente aquilo – que nossa maturidade nos permite!
São características como inteligência emocional, autoconhecimento e disponibilidade para aprender, que fazem com que sejamos ou não maduros o suficiente para tomar as rédeas de nossas vidas e fazer escolhas mais coerentes e conscientes, facilitando a superação da dor e da culpa e, especialmente, a reincidência da felicidade.
Vivenciar situações complexas como traição, inevitavelmente nos coloca diante de tudo o que temos sido e do quanto temos investido naquilo em que desejamos nos tornar. Sobretudo, porque resvala em questões como a legitimidade da busca do prazer e do bem-estar.
Por isso, exige de nossa parte – para serem compreendidas e discutidas tais vivências de modo produtivo – mais do que sob um enfoque moral. Seu peso e importância (para aceitação ou negação) recaem sobre a visão de cada um e de cada casal, a cada instante da relação.

Temos preferido a cômoda prática da acusação, mergulhando num lugar sempre – e sempre! – de vítimas, deixando de lado a preciosa oportunidade contida nisso tudo, perdendo-se a riqueza do tema em discussões estéreis, não-criativas, não-preenchedoras.
Confesso que isso tudo desafia a mim mesma, mas creio que somente enfrentando-nos – cada um a si mesmo – é que poderemos caminhar em direção ao amadurecimento emocional que uma relação amorosa adulta requer, pouco importando qual a escala de valores que cada um adota!

Então, se você está sofrendo por se sentir traído, ou culpando-se por se sentir traidor, tente sair dos conceitos limitantes e encare-se de frente! Assuma-se! Reconheça quem você é, ainda que, em princípio, não goste do que vê. É somente quando você sabe quem é que pode se tornar quem deseja ser. Isto é evolução.

Negar-se ou permanecer no desconhecido de si mesmo pode até fazer você parecer menos culpado e mais vítima. No entanto, faz você – de fato! – menos autêntico, menos intenso e bem menos amante do que você realmente poderia ser.
Refém de conceitos limitantes e regras que só servem para rotular corações, você perde a chance de encarar a vida e realmente aprender a amar!
:: Rosana Braga :: 

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