A Fenomenologia,
nascida na segunda metade do século XX,
a partir das análises de Franz Brentano sobre a intencionalidade da
consciência humana, trata de descrever, compreender e interpretar os fenômenos
que se apresentam à percepção. Propõe a extinção da separação entre
"sujeito" e "objeto", opondo-se ao pensamento positivista
do século
XIX.
O método fenomenológico se define como uma volta
às coisas mesmas, isto é, aos fenômenos, aquilo que aparece à consciência,
que se dá como objeto intencional.
Seu objetivo é chegar à intuição das essências, isto é, ao conteúdo
inteligível e ideal dos fenômenos, captado de forma imediata.
Toda consciência é consciência de alguma coisa.
Assim sendo, a consciência não é uma substância, mas uma atividade constituída
por atos (percepção, imaginação, especulação, volição, paixão, etc), com os
quais visa algo.
As essências
ou significações (noema) são objetos visados de certa maneira pelos atos
intencionais da consciência (noesis). Em metafísica,
a essência de uma coisa é constituída
pelas propriedades
imutáveis da mesma. O oposto da essência são os acidentes da
coisa, isto é, aquelas propriedades mutáveis. Um bom exêmplo é: a essência de
uma laranja é constituída de propriedades químicas contidas em flúidos
energéticos de moléculas próprias da sua constituição molecular e energética.
Afim de que a investigação se ocupe apenas das
operações realizadas pela consciência, é necessário que se faça uma redução fenomenológica ou Epoché, isto é,
coloque-se entre parênteses toda a existência efetiva do mundo exterior. A
redução fenomenológica é o processo pelo qual tudo que é informado pelos
sentidos é mudado em uma experiência de consciência, em um fenômeno que
consiste em se estar consciente de algo. coisas, imagens, fantasias, atos,
relações, pensamentos, eventos, memórias, sentimentos, etc;constituem nossas
experiências de consciência. Husserl propôs então que, no estudo das nossas
vivências, dos nossos estados de consciência, dos objetos ideais, desse
fenômeno que é estar consciente de algo, não devemos nos preocupar se ele
corresponde ou não objeto do mundo externo a nossa mente.
O interesse para a fenomenologia não é o mundo que
existe, mas sim o modo como o conhecimento do mundo se dá, tem lugar, se
realiza para cada pessoa. a redução fenomenológica requer a suspensão das
atitudes, crenças, teorias, e colocar em suspenso o conhecimento das coisas do
mundo exterior a fim de concentrar-se a pessoa a pessoa exclusivamente na
experiência em foco, porque esta é a realidade para ela.
Na prática da fenomenologia efetua-se o processo de redução fenomenológica o qual permite atingir a essência do fenômeno. Um fenômeno (plural: fenômenos) é um acontecimento observável, particularmente algo especial (literalmente algo que pode ser visto, derivado da palavra Grega phainomenon = observável). O fenômeno tem um significado específico na filosofia de Immanuel Kant que contrastou o termo 'Fenômeno' com 'Nómeno' na "Crítica da Razão Pura". Os fenômenos constituem o mundo como nós o experimentamos, ao contrário do mundo como existe independentemente de nossas experiências (thing-in-themselves, 'das Ding an sich', 'das coisas-em-sí'). Segundo Kant, os seres humanos não podem saber da essência das coisas-em-sí, mas saber apenas das coisas das quais possue experência, ou como nós as experimentamos. — o termo "filosofia" na época de Kant seria, seria hoje o equivalente aproximado do que chamamos de "ciência" — A filosofia deve, portanto, preocupar-se em compreender o próprio processo da experiência.
Na prática da fenomenologia efetua-se o processo de redução fenomenológica o qual permite atingir a essência do fenômeno. Um fenômeno (plural: fenômenos) é um acontecimento observável, particularmente algo especial (literalmente algo que pode ser visto, derivado da palavra Grega phainomenon = observável). O fenômeno tem um significado específico na filosofia de Immanuel Kant que contrastou o termo 'Fenômeno' com 'Nómeno' na "Crítica da Razão Pura". Os fenômenos constituem o mundo como nós o experimentamos, ao contrário do mundo como existe independentemente de nossas experiências (thing-in-themselves, 'das Ding an sich', 'das coisas-em-sí'). Segundo Kant, os seres humanos não podem saber da essência das coisas-em-sí, mas saber apenas das coisas das quais possue experência, ou como nós as experimentamos. — o termo "filosofia" na época de Kant seria, seria hoje o equivalente aproximado do que chamamos de "ciência" — A filosofia deve, portanto, preocupar-se em compreender o próprio processo da experiência.
O conceito de 'Fenômenos' levou a uma tradição
filosófica conhecida como Fenomenologia. Algumas personalidades de destaque nesta
tradição: Hegel, Husserl, Heidegger e Derrida.
A percepção de Kant acerca dos fenómenos foi
também interpretada como influenciadora no desenvolvimento de modelos psicodinâmicos da
Psicologia, e de teorias acerca do modo como o cerébro e a mente interage com o
mundo exterior.
As coisas, segundo Husserl, caracterizam-se pelo seu inacabamento, pela
possibilidade de sempre serem visadas por noesis novas que as enriquecem e as
modificam.
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Brentano
Filósofo alemão (Marienberg am Rhein,
16
de Janeiro de 1838
- Zurique, 17 de
Março de 1917). Sobrinho
do poeta alemão Clemens Brentano, lecionou em Würzburg e
na Universidade de Viena. Em 1864 foi ordenado
padre, mas envolvendo-se em controvérsias sobre a doutrina da infalibilidade papal, abandonou a Igreja em 1873. Morreu em 1917, deixando uma obra
volumosa.
Sua filosofia evoluiu em direção de um aristotelismo
moderno, nitidamente empírico em seus métodos e princípios. Os trabalhos mais
importantes de Brentano são no campo da psicologia,
por ele definida como ciência da alma. O objeto de seus estudos não foram,
porém, os estados, mas sim os atos e processos psíquicos. Segundo Brentano, o
fenômeno psíquico distingue-se dos demais por sua propriedade de referir-se a
um objeto atavés de mecanismos puramente mentais. Ao filósofo caberia, então,
estudar as diversas maneiras pelas quais a mente estabelece contatos com os
objetos.
Brentano distuingue três mecanismos fundamentais:
a percepção,
julgamento e aprovação ou desaprovação. Seu trabalho mais importante publicado
em vida foi Psychologie von Empirischem Standpunkt (Psicologia segundo o
ponto de vista empírico), de 1874. A segunda edição desta obra inclui ainda Von der
Klassifikation der Psychischen Phänomene (Sobre a classificação dos
fenômenos psíquicos). Sua obra póstuma mais importante é Von Simmlichen um
Poetishen Bewusstsein (Sobre a consciência sensorial e poética), de 1928.
Husserl
Edmund Gustav Albrecht
Husserl (Prossnitz, 8 de Abril
de 1849 — Friburgo, 26 de Abril
de 1938) foi um filósofo alemão,
conhecido como fundador da fenomenologia.
Nascido numa família judaica numa pequena localidade da Morávia
(região da atual República Checa). Aluno de Franz
Brentano e Carl Stumpf, Husserl
influenciou entre outros os alemães Edith Stein,
Eugen Fink e Martin
Heidegger, e os franceses Jean-Paul
Sartre, Maurice Merleau-Ponty, Michel Henry e Jacques
Derrida. O interesse do matemático Hermann Weyl pela lógica intuicionista
e pela noção de
impredicatividade teria resultado de contatos com Husserl. Na
verdade, a impulsão primeira da lógica positivista,
como seus desenvolvimentos mais recentes, seríam estreitamente tributários da crítica
de certos aspectos da filosofia de Husserl pelas filosofias insulárias e
americanas. Ao reverso, a obra do discípulo Heidegger foi considerada pelo
mestre como resultando de graves desinterpretações de seus ensinos e métodos.
Em 1887, Husserl converte-se ao cristianismo
e junta-se à Igreja Luterana. Começa ensinando filosofia em Halle como tutor (Privatdozent)
desde 1887, continua em Göttingen como professor em 1901 e mais tarde em
Friburgo (Freiburg am Breisgau) a partir de 1916, até que se
aposente em 1928.
Como aposentado, Husserl continuou suas pesquisas e atividades nas instituições
de Friburgo, até que foi definitivamente demitido por causa de sua ascendência
judia, sob o reitorado de seu antigo aluno e protegé, Heidegger.
Husserl estudou inicialmente matemática
nas universidades de Leipzig (1876) e Berlin (1878), seguindo as lições de Karl Weierstrass e Leopold
Kronecker. Em 1881, vai a Viena para estudar sob a direção de Leo Königsberger (antigo
aluno de Weierstrass), obtendo seu doutorado em 1883, apresentando a
tese Beiträge zur Variationsrechnung (« Contribuições ao calculo
das variações »). Em 1884, começa a atender as lições de Franz Brentano em filosofía
na Universidade de Viena. Brentano tanto
impressionou Husserl que ele prentende então dedicar sua vida à filosofia. Em 1886 Husserl vai à
Universidade de Halle, recomendado por Brentano para Carl Stumpf para sua
habilitação. Sob sua direção, Husserl escreve Über den Begriff der Zahl
(« Sobre o Conceito do Numero », 1887) cujos arquivos
fornecerão as bases de sua primeira obra importante, Philosophie der
Arithmetic ("Filosofia da Aritmetica", 1891).
Nessas primeiras pesquisas, Husserl tenta combinar
matemática com a filosofia empírica pela qual tinha sido iniciado em Viena. Seu objetivo
central será contribuir no fornecimento de fundações sólidas para a ciência
matemática. O tema de seu estudo será a análise dos processos mentais
necessários para a formação do conceito de número; baseado em suas próprias
análises, como nos métodos atípicos de seus profesores, tentará projetar a possibilidade
de uma teoria sistemática. Em relação ao ensino de Karl Weiestrass,
Husserl tenta derivar a idéia de que o conceito de número se obtém por um
"desconto" de certas coleções de objetos; em respeito a
Brentano-Stumpf, Husserl desenvolve a distinção entre as noções de presentações
próprias e impróprias. Temos uma presentação própria quando o objeto está
"atualmente" presente (no campo de vista, contexto ou intuição).
Imprópria (ou simbólica, como tambem é referida), se podemos indicá-lo
somente através de signos, símbolos etc. As Investigações Lógicas, de 1901, foram
interpretadas como o início da teoria simbólica dos conjuntos e suas partes,
também referida como mereologia.
Outro elemento importante herdado por Brentano foi
a noção de intencionalidade, que define a forma essencial dos processos
mentais. Uma definição simples dirá que a principal característica da
consciência é de ser sempre intencional. A consciência sempre é consciência
de alguma coisa : a análise intencional e descritiva da consciência
definirá as relações essenciais entre atos mentais e mundo externo. Mas, para
Brentano, o objetivo fora gerar com métodos empíricos (apoiando-se na
introspecção pura), um critério-chave que possa caracterizar os fenômenos
psíquicos por oposto aos fenômenos físicos, distinção cujo objetivo fora
legitimar uma ciência psicológica nova, e livre de preconceitos (Psychologie
vom empirischen Standpunkt, 1874). Para Brentano, todo ato mental tem seus
conteúdos, caracterizados por sua direção a um objeto ("objeto
intencional").
Toda crença, desejo, tem necessariamente seus
objetos : o desejado, o acreditado, etc. Brentano usou da expressão
“inexistência intencional” para indicar o status, na mente, dos objetos do
pensamento. Com a noção de intencionalidade, o filósofo austríaco propôs um
conjunto de traços que distinguiriam de maneira perfeitamente empírica os
fenômenos psíquicos dos fenômenos físicos : para Brentano, fenômenos
físicos não tem intencionalidade. O desenvolvimento e a crítica do conceito
brentaniano aparece como o motivo permanente, central, da obra de Edmund
Husserl. A principal diferença, em sua interpretação da noção de
intencionalidade, aparece na crítica de seu modo in-existente
("inexistência" como existencia "interna"): a
transcendência necessária da mente e do discurso, a objetividade óbvia e no
entanto contraditória do porvenir científico e histórico, a objetividade
radical, constituidora, da subjetividade formarão a marca do trabalho do
primeiro fenomenologista, e seus elementos próprios de fascinação.
Alguns anos após a publicação de sua principal
obra, as Logische
Untersuchungen (Investigações Lógicas; primeira edição,
1900-1901), Husserl elaborou alguns conceitos-chave que o levaram a afirmar que
para estudar a estrutura da consciência seria necessário distinguir entre o ato
de consciência e o fenômeno ao qual ele é dirigido (o objeto-em-si,
transcendente à consciência). O conhecimento das essências seria possível
apenas se “colocamos entre parênteses” todos os pressupostos relativos à
existência de um mundo externo. Este procedimento ele denominou epoché.
Estes novos conceito provocaram a publicação de Ideen (Idéias) em
1913, no qual eles
foram pela primeira vez incorporados, e um plano para uma segunda edição das Logische
Untersuchungen.
A partir de Ideen, Husserl se concentrou
nas estruturas ideais, essenciais da consciência. O problema metafísico de
estabelecer a realidade material daquilo que percebemos era de pequeno
interesse para Husserl (diferentemente do que ocorria quando ele tinha que
defender repetidamente sua posição a respeito do idealismo transcendental, que
jamais propôs a inexistência de objetos materiais reais). Husserl propôs que o
mundo dos objetos e modos nos quais dirigimo-nos a eles e percebemos aqueles
objetos é normalmente concebido dentro do que ele denominou “ponto de vista natural”,
caracterizado por uma crença de que os objetos existem materialmente e exibem
propriedades que vemos como suas emanações. Husserl propôs um modo
fenomenológico radicalmente novo de observar os objetos, examinando de que
forma nós, em nossos diversos modos de ser intencionalmente dirigidos a eles,
de fato os “constituimos” (para distinguir da criação material de objetos ou
objetos que são mero fruto da imaginação); no ponto de vista Fenomenológico, o
objeto deixa de ser algo simplesmente “externo” e deixa de ser visto como fonte
de indicações sobre o que ele é (um olhar que é mais explicitamente delineado
pelas ciências naturais), e torna-se um agrupamento de aspectos perceptivos e
funcionais que implicam um ao outro sob a idéia de um objeto particular ou
“tipo”.
A noção de objetos como real não é removida pela
fenomenologia, mas “posta entre parênteses” como um modo pelo qual levamos em
consideração os objetos em vez de uma qualidade inerente à essência de um
objeto fundada na relação entre o objeto e aquele que o percebe. Para melhor
entender o mundo das aparências e objetos, a Fenomenologia
busca identificar os aspectos invariáveis da percepção dos objetos e empurra os
atributos da realidade para o papel de atributo do que é percebido (ou um
pressuposto que perpassa o modo como percebemos os objetos).
Em um período posterior, Husserl começou a se
debater com as complicadas questões da intersubjetividade (especificamente,
como a comunicação sobre um objeto pode ser suposta como referindo-se à mesma
entidade ideal) e experimenta novos métodos para fazer entender aos seus
leitores a importância da Fenomenologia para a investigação científica
(especificamente para a Psicologia) e o que significa “pôr entre parênteses” a
atitude natural. A Crise das Ciências Européias é o trabalho inacabado de
Husserl que lida mais diretamente com estas questões. Nele, Husserl pela
primeira vez busca um panorama histórico do desenvolvimento da filosofia ocidental e da ciência,
enfatizando os desafios apresentados pela sua crescente (unilateral) orientação
empírica
e naturalista.
Husserl declara que a realidade mental e espiritual possui sua própria
realidade independente de qualquer base física e que a ciência do espírito
(Geisteswissenschaft)
deve ser estabelecida sobre um fundamento tão científico como aquele alcançado
pelas ciências naturais.
Como resultado da legislação antisemita aprovada
pelos nazistas em abril de 1933, foi negado ao Professor Husserl o acesso à
biblioteca de Freiburg. Seu antigo pupilo e membro do partido nazista, Martin
Heidegger, comunicou a Husserl sua demissão. Heidegger (cuja filosofia
Husserl considerava ser o resultado de uma compreensão incorreta dos ensinamentos
e dos métodos do próprio Husserl) retirou a dedicatória a Husserl de seu mais
conhecido trabalho Ser e Tempo (Being and Time),
quando este foi reeditado em 1941.
Em 1939, os manuscritos de Husserl, que somavam
aproximadamente 40.000 páginas taquigrafadas de Gabelsberger e sua
pesquisa bibliográfica completa foi clandestinamente transportada para a
Bélgica e depositada em Leuven onde foram criados os Husserl-Archives.
Muito do material encontrado em suas pesquisas manuscritas foi publicado na série
de edições críticas Husserliana.
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