Introdução
A experiência pela
qual Hegel conduz a consciência tem seu ponto culminante na passagem da
consciência à consciência-de-si. Aqui, está em jogo muito mais do que uma
simples mudança no foco de análise; altera-se completamente a perspectiva da
consciência e ela pode finalmente encontrar a “terra pátria da verdade”, como o
próprio Hegel afirma. Contudo, algumas questões devem ser esclarecidas antes de
mais nada. Ao afirmar que a consciência é consciência-de-si, Hegel não pretende
dizer que o Eu da consciência se conhece profundamente e que esse autoconhecimento
é a única coisa importante para que a certeza se transforme em verdade, no
interior da experiência da consciência. O próprio conceito de experiência de
Hegel nos ajudará a mostrar como o Eu da consciência-de-si é, desde o primeiro
momento, um conceito relacional, ou seja, só existe enquanto relação entre
diferentes consciências. Hegel não deixa dúvidas quanto a isso ao afirmar: “O
Eu é o conteúdo da relação e a relação mesma; defronta um Outro e ao mesmo
tempo o ultrapassa; e este Outro, para ele é apenas ele próprio.
Assim, ao entender a
experiência como o processo de alienação e retorno a si da consciência, Hegel
confirma essa perspectiva relacional do Eu, mostrando como é essencial, neste
momento, pensar um novo conceito de identidade como identidade na diferença,
sem, com isso, descartar a experiência anterior da consciência.
“a consciência-de-si é a reflexão, a
partir do ser do mundo sensível e percebido; é essencialmente o retorno a
partir do ser-Outro. Como a consciência-de-si é movimento; mas quando
diferencia de si apenas a si mesma enquanto si mesma, então para ela a
diferença é imediatamente suprassumida, como um ser-outro. A diferença
não é; e a consciência-de-si é apenas a tautologia sem movimento do “Eu sou
Eu”. Enquanto para ela a diferença não tem também a figura do ser, não é
consciência-de-si.
Hegel nega, assim,
qualquer postura meramente idealista e solipsista do tipo Eu=Eu. Porém, ainda
será preciso mostrar como a relação entre sujeitos é capaz de criar um fundo
comum de expectativas normativas racionais. Para isso, o desejo e a morte terão
um papel fundamental.
Segundo Hyppolite, neste
ponto, a tarefa de Hegel é pensar a pura vida, essa verdadeira “inquietude do
Si” Nesse sentido, veremos como a ideia da morte irá operar uma profunda mudança
nos planos da consciência, surgindo como figura fundamental nessa passagem da
consciência à consciência-de-si.
Assim, o objetivo deste
trabalho será entender o papel desempenhado pela morte na passagem da
consciência à consciência-de-si, sobretudo no interior da dialética do Senhor e
do Escravo. Para isso, precisaremos primeiramente entender qual o significado
desta passagem no interior do texto hegeliano, o que terá como primeiro
operador fundamental o desejo no interior da vida do sujeito vivente. Em
seguida, buscaremos fazer uma análise da figura da morte na filosofia de Hegel
para, por fim, tentarmos compreender como o conflito, presente na dialética do
Senhor e do Escravo, será o padrão geral de interação no processo que Hegel
chama de luta por reconhecimento, e que abrirá passagem para a
continuidade da experiência da consciência já como consciência-de-si.
Da consciência à consciência-de-si
“Nos modos precedentes
da certeza, o verdadeiro é para a consciência algo outro que ela mesma. Mas o
conceito desse verdadeiro desvanece na experiência”.
Hegel abre a seção consciência-de-si com essa afirmação que resume bem como a
medida da verdade, enquanto consciência, era procurada na adequação entre representações
mentais e objetos. No entanto, essa verdade era sempre destruída (ou invertida)
pela própria experiência da consciência. O isto ou o agora da
certeza sensível não conseguiam encontrar sua particularidade sem recorrer à
universalidade da linguagem. A percepção se colocava no dilema entre a unidade
do objeto e a multiplicidade de seus predicados, o que o impedia de realizar
suas próprias expectativas cognitivas. E enfim, a força do entendimento não se
mostrava capaz de articular as categorias internas ao próprio entendimento,
como fenômeno e mundo supra-sensível, isto é, não conseguia fazer as
articulações entre o transcendental e o empírico.
Assim, as dicotomias
deixadas pela consciência só poderiam ser resolvidas quando a consciência
deixasse de ser consciência de objeto e passasse a ser consciência de
consciência, isto é, quando fosse consciência-de-si. Surge, então, “o que não
emergia nas relações anteriores, a saber: uma certeza igual à sua verdade, já
que a certeza é para si mesma seu objeto, e a consciência é para si mesma o
verdadeiro."
Nesse momento, cabe
retornarmos à Introdução de nossa obra para compreendermos o projeto que está
em jogo na Fenomenologia. Hegel ataca a representação mentalista de uma
subjetividade auto-suficiente que se delimita em relação ao que lhe é exterior.
Fica claro, desde o começo como a estrutura da consciência é estritamente
relacional e, apenas a autoconsciência do sujeito do conhecimento e a profunda
alteração na gramática filosófica são capazes de resolver esse dilema de forma
satisfatória.
Heidegger mostra bem
como o processo do conhecer é em si um processo de erros consecutivos, um
processo de “errância”.
Assim, Hegel mostra como o saber não animado pelo medo da verdade é um saber
que não determina o erro como simples inadequação entre representação e coisa,
trata-se de um saber que não pode fornecer a segurança de não estar imbricado
no erro. O processo de “experiência da consciência” é, portanto, fundamental
para que ela (consciência) seja capaz de se livrar da aparência fenomenal das
inúmeras “verdades” que lhe são apresentadas. A consciência deve voltar-se contra
essa aparência afim de livrar-se dela, para isso é preciso que, a partir de uma
perspectiva interna, acabe qualquer referência a saberes pressupostos, ou seja,
é necessária uma aceitação de auto-revisão contínua das idéias. Ou seja, por
meio da exposição da contradição interna ao finito como movimento essencial da
dialética, Hegel propõe a supressão de todos os pressupostos não
problematizados que acabam por se naturalizar e produzir certas convicções na
ciência.
“A preocupação em errar introduz uma desconfiança
na ciência, que sem tais escrúpulos, se entrega espontaneamente à sua tarefa, e
conhece efetivamente. Entretanto, deveria ser levada em conta a posição
inversa: por que não cuidar de introduzir uma desconfiança nessa desconfiança,
e não temer que esse temor de errar já seja o próprio erro?”
Se a única consciência
possível que podemos ter de um objeto é a consciência do que ele representa
para o sujeito, isto é, do que ele é para si, para apreender a coisa em-si
precisamos entrar na estrutura que a compreende desse modo, ou seja, precisamos
entender o que se passa dentro da consciência do sujeito que faz ele apreender
um objeto de uma determinada maneira. É por isso que Hegel vai afirmar que toda
consciência de objeto está subordinada às estruturas da consciência-de-si.
Assim, a esfera da consciência está estritamente entrelaçada com a
autoconsciência. “Na medida em que faço de minhas representações de objetos os
objetos de outra representação, descubro uma interioridade chamada
‘subjetividade’”
A partir desse momento o mito do dado, das representações naturais, desaparece,
na medida em que o campo da experiência passa para o interior da consciência.
Isso explica porque não se trata de tematizar mais a consciência como
consciência de um objeto, mas como consciência de consciência, consciência das
estruturas do pensar da consciência, consciência-de-si.
Conforme constata
Habermas, o “Eu” do saber subjetivo é ao mesmo tempo “pessoa em geral” e
“indivíduo inconfundível”, ou seja, ao mesmo tempo em que tenho em comum com
todas as outras pessoas as propriedades pessoais essenciais de um sujeito que
conhece, fala e age, também respondo de maneira insubstituível por uma
biografia tão formadora quanto singular.
Assim, o sujeito é um e é múltiplo e, a partir dessa sua constituição
dialética, ele é capaz de ultrapassar sua consciência enquanto sujeito
individual por meio das funções mediadoras do desejo, do trabalho e da
linguagem.
Assim, a
“objetividade” deve ser explicada pela “intersubjetividade” ocorrida em uma
esfera social comum. “O problema da superação dos dualismos mentalistas
resolve-se mediante uma assimilação das relações sujeito-objeto às relações
intersubjetivas.”
Sabemos que o
infinito, para Hegel, não tem relação alguma com a noção matemática do
inumerável, mas é exatamente aquilo que porta em si mesmo sua própria negação e
que, ao invés de se autodestruir conserva-se em uma determinidade. Assim, no
entendimento de Hegel, “quando a infinitude finalmente é o objeto para a
consciência, então a consciência é consciência-de-si”. Assim, é apenas pelo
processo reflexivo de autoconhecimento, um processo que é eminentemente social,
uma vez que depende da relação com outras consciências, é que se pode atingir a
verdade, operando-se, então, na gramática da infinitude. Fica claro, portanto
que “a consciência sabe enquanto sabe a si mesma”,
ou seja, a certeza só pode realmente se tornar verdade quando a consciência tem
pleno conhecimento de sua estrutura de ação e pensamento. Mas, para que isso
seja possível, ela precisa passar pela experiência de alienar a si mesmo em uma
outra consciência e retornar a si como consciência-de-si. O primeiro passo para
isso está na compreensão, pela consciência, de que suas expectativas
cognitivo-instrumentais são dependentes de modos de interação social e de
práticas sociais. Quer dizer, toda relação entre sujeito e objeto está, antes
de tudo, submetida a relações de desejo e satisfação, o que não será diferente
no caso das relações entre sujeitos, como mostraremos a seguir.
Desejo da vida e desejo de
reconhecimento
Hegel afirma que “a
consciência-de-si é desejo, em geral”. Com isso, ele quer dizer que os objetos
do mundo contam para o sujeito como tendo determinadas características, apenas
em termos de como elas contribuem para a satisfação dos desejos do organismo.
Assim, a relação do sujeito com os objetos sensíveis é primeiramente prática e
não teórica, seu conhecimento em relação às coisas se dá, primeiramente em
termos de ação e não de apreensão pura e simplesmente.
Desse modo, o primeiro objeto de desejo do sujeito é a vida.
A vida aparece,
inicialmente aqui, como uma base comum de extração do sujeito e do objeto, como
o fundo normativo intersubjetivamente compartilhado a partir do qual todos os
modos de interação entre sujeito e objeto podem ser fundamentados. Contudo, a
vida será realmente compreendida, partindo-se da tensão entre a universalidade
da substância comum de tudo que é vivo e a particularidade de cada indivíduo.
Por seguir na direção da superação dessa contradição, Hegel poderá dizer que a
vida é aparece como primeira figura da infinitude. Mas a vida é essencialmente
movimento ou inquietude, como bem coloca Hyppolite: “Essa vida é inquietude,
inquietude do Si que se perdeu e que se reencontra em sua alteridade”.
Assim, a filosofia da vida é resultado de um duplo movimento, da unidade da
vida à multiplicidade das formas viventes e o que parte das formas distintas
para reencontrar neles e por eles essa mesma unidade.
“Assim, a vida é um vir-a-ser circular
que se reflete em si; sua reflexão verdadeira, porém é seu vir-a-ser para si,
ou ainda ‘a emergência da consciência de si’ cujo desenvolvimento reproduz, sob
nova forma, o desenvolvimento da vida. Essa filosofia geral da vida concilia o
monismo e o pluralismo. Faz a síntese do repouso e do movimento.”
Ou nas palavras do
próprio Hegel: “A essência é a infinitude, como o Ser-suprassumido de
todas as diferenças, o puro movimento de rotação, a quietude de si mesma como
infinitude absolutamente inquieta”.
Portanto, a vida deve ser entendida como processo, como ser vivo.
Dessa forma, Pinkard
irá afirmar que “a vida é expressa em nossos vários desejos.”
Mas, ao entender a si mesmo como sujeito cujas razões normativas de ação
dependem da realização de seus projetos e desejos, o agente coloca uma nova
oposição entre a consciência-de-si e a própria vida. Por um lado, haveria a
vida e o mundo de objetos com os quais o agente deve lidar se ele quiser
satisfazer seus desejos; por outro lado, existiria o sujeito consciente-de-si,
capaz de eleger suas razões e desejos, alternando o que era tido como certeza
de uma hora para outra. Desse modo, apesar de se considerar independente como
consciência-de-si, capaz de determinar para si mesmo o que são razões válidas
para ação; como sujeito orgânico, ele percebe que muitos de seus desejos são
dados a ele, sendo dependente de sua natureza orgânica, sua vida. Para integrar
essas visões opostas de si, o sujeito precisa encontrar um desejo que não seja
simplesmente dado, mas que também venha de fora de sua natureza como
consciência-de-si; somente a satisfação desse desejo poderia afirmá-lo como
realmente independente. Esse desejo é um desejo de reconhecimento como agente
independente por outro agente consciente-de-si.
A consciência-de-si
tem, então, um duplo desejo, ela deseja o objeto da certeza sensível e da
percepção (que aparece agora marcado com o sinal negativo) e deseja ela mesma.
Fica claro que o verdadeiro desejo da consciência não é o mundo sensível, mas a
unidade da consciência-de-si consigo mesma. A consciência-de-si deseja ela
mesma, mas ela só poderá encontrar a si mesma ao encontrar um outro desejo,
isto é uma outra consciência-de-si. Hyppolite resume bem o que está em jogo
neste momento do desejo:
“A dialética teleológica da Fenomenologia
explicita, progressivamente, todos os horizontes desse desejo que é a essência
da consciência de si. O desejo se refere aos objetos do mundo; depois, a um
objeto mais próximo de si mesmo, a Vida; enfim, a uma outra consciência de si ,
é o próprio desejo que se procura no outro, o desejo do reconhecimento do homem
pelo homem.”
Assim, chegamos ao
momento em que duas consciências-de-si, se encontram como desejosas de
reconhecimento mútuo, pois como já deve estar claro:
“A satisfação do desejo é a reflexão da
consciência-de-si sobre si mesma, ou a certeza que veio-a-ser verdade. Mas a
verdade dessa certeza é antes a reflexão duplicada, a duplicação da
consciência-de-si”
Desse modo, através da
noção de “reflexão duplicada”, Hegel apresenta um movimento que é, ao mesmo
tempo, reflexão-em-si e reflexão-no-Outro. Assim sendo, os sujeitos conscientes
se enfrentam em uma luta de vida ou morte em busca do reconhecimento, que é no
fundo a luta pelo reconhecimento de suas liberdades. O objeto da
consciência-de-si é, em princípio, independente, para si essente, o que faz com
que o movimento seja o duplo movimento das duas consciências, cada uma fazendo
o que a outra faz. Assim, o agir tem duplo sentido, é tanto de um quanto de
outro, “eles se reconhecem como reconhecendo-se reciprocamente”.
Isso é o que Hegel vem a chamar de puro conceito de reconhecimento: a
duplicação da consciência-de-si tal como seu processo se manifesta para a
consciência-de-si – um extremo é só o que é reconhecido; o outro, só o que
reconhece, um é o senhor o outro é o escravo.
A luta que é
inicialmente travada entre os sujeitos tem o puro objetivo de destruir
completamente seu adversário, ou melhor, de submetê-lo completamente a seus
desejos. Para se colocar como independente, o sujeito precisa que seu objeto se
coloque como dependente. Para isso, seu objeto também deve ser
consciência-de-si, cujos projetos só teriam validade se tiverem o objetivo de
satisfazer os desejos do primeiro sujeito.
A morte como processo formador da
consciência-de-si.
De início, a
consciência-de-si é ser-para-si simples, busca igualar a si mesmo mediante o
completo excluir do outro. O outro lhe aparece como inessencial, marcado com o
sinal do negativo (exatamente como objeto da certeza sensível ou da percepção).
Mas o Outro tem também consciência-de-si, os indivíduos são um para o outro
como objetos comuns, figuras independentes, consciências imersas no ser da
vida. Como já foi dito, o agir desses sujeitos é um agir duplicado, é agir do
outro e agir por meio de si mesmo. “Enquanto agir do Outro, cada um
tende, pois à morte do Outro. Mas aí está também presente o segundo agir, o
agir por meio de si mesmo, pois aquele agir do Outro inclui o arriscar a
própria vida”. Assim, a relação entre ela é de vida ou morte, uma luta que
procura elevar à verdade a certeza que possuem de si mesmas. É nesse momento
que Hegel irá colocar a afirmação que serve de guia para este trabalho:
“Só mediante o pôr a vida em risco, a
liberdade se conquista e se prova que a essência da consciência-de-si não é o
ser, nem o modo imediato como ela surge, nem o seu submergir-se na expansão da
vida, mas que nada há para a consciência que não seja para ela momento
evanescente; que ela é somente puro ser-para-si. O indivíduo que não
arriscou a vida pode bem ser reconhecido como pessoa [ou seja, como figura
jurídica portadora de direitos garantidos legalmente], mas não alcançou a
verdade desse reconhecimento como uma consciência-de-si independente.”
Não restam dúvidas em
relação à relevância da figura da morte neste ponto da Fenomenologia.
Contudo, para realmente entendermos o que está em jogo neste momento vamos
abrir um breve parêntesis para pedir ajuda a alguns comentadores de Hegel, a
fim de termos uma noção mais abrangente da idéia de morte no interior da
filosofia hegeliana.
Segundo Alexandre
Kojève, “a filosofia dialética ou antropológica de Hegel é, em última análise,
uma filosofia da morte”, pois a aceitação sem reservas da morte ou da finitude
humana consciente-de-si, é a fonte última de todo pensamento hegeliano. Para
Kojève, o pensamento de Hegel defenderia que, ao aceitar voluntariamente o
risco de morte numa luta por puro prestígio, o homem apareceria pela primeira vez
no mundo natural e é ao resignar-se perante a morte, ao revelá-la por meio do
discurso, que o homem chegaria ao Saber Absoluto e ao “fim da história”.
Dessa forma, Kojève
busca mostrar a centralidade da morte no discurso hegeliano, afirmando que é
somente quando o homem se sente mortal, quando percebe que está num universo
sem além, sem Deus é que o homem poderia afirmar e fazer reconhecer três de
suas características fundamentais enquanto homem: sua liberdade, sua
historicidade e sua individualidade.
A liberdade é
autonomia frente ao dado, ou seja, é a possibilidade de negá-lo tal como
aparece e, de acordo com Kojève, somente pela morte voluntária o homem poderia
escapar do domínio de qualquer condição imposta pela existência empírica. “A
essência da liberdade individual é portanto a negatividade, que se manifesta em
estado puro ou absoluto como morte”.
“A história é transcendência (aqui na
terra). É a supressão-dialética do homem, que se nega (como dado)
conservando-se (como ser humano) e se sublima (= progride) por sua autonegação
conservadora. Esse movimento dialético implica e pressupõe a finitude do que se
move, isto é, a morte dos homens que criam a história.”
Por sua vez a
historicidade adviria do fato de o homem ser histórico na medida em que
“participa ativamente da vida do Estado, e essa participação culmina no risco
de vida voluntária numa guerra puramente política”.
Ou seja, a historicidade do homem viria de sua potencialidade como guerreiro. O
homem só seria capaz de se aperfeiçoar na medida em que é mortal e aceita
conscientemente o risco de vida.
Por fim, quanto à
individualidade, Kojève é categórico ao afirmar que só seria possível ser
individual sendo livre e que não seria possível ser livre sem ser finito ou
mortal. A individualidade implica e pressupõe a finitude: para transformar uma
entidade concreta (particular) em um conceito (universal) é preciso destacá-lo
de sua existência, esse destaque, para o homem, significa a morte.
“Assim, a penetração real do universal
no particular é a realização da finitude deste último, isto é, sua morte
efetiva. E, se a existência humana pode ser universal embora permaneça
particular, isto é, se o homem pode existir como indivíduo, é apenas porque a
universalidade da morte pode estar presente nele enquanto ele vive: idealmente,
na consciência que ele tem disso; e, realmente, por arriscar voluntariamente a
vida (a consciência pressupõe o risco).”
Contudo, a leitura de
Kojève nos será mais útil do que pode parecer à primeira vista. Segundo ele, a
aceitação da morte pelo homem ocorreria quando o homem arrisca conscientemente
a vida em função do mero desejo de reconhecimento (exatamente o que ocorre no
nosso trecho). O desejo de reconhecimento é desejo de um desejo e não de um ser
dado, natural; mas esse desejo só se realizaria na medida em que aniquilasse
esse dado, esse natural. O homem precisaria, então, matar o animal (interno a
ele) para se tornar homem. O homem só se constituiria como ser humana sob a
condição de ser mortal, ou seja, um ser só pode ser humano se realizar sua
morte: tomar consciência dela, suportá-la, ser capaz de enfrentá-la
voluntariamente. “Ser homem, para Hegel, é poder e saber morrer”. Apenas na e
pela luta por reconhecimento o homem pode criar-se a partir do animal, sendo o
mais importante para Hegel nessa luta não a vontade de matar, mas a capacidade
de expor-se ao perigo da morte voluntariamente.
“É ao arriscar a vida que o homem
compreende que é essencialmente mortal, ou seja, que não pode existir
humanamente fora do animal que serve de suporte à sua consciência-de-si.”
Georges Bataille, por
sua vez, irá adicionar outra perspectiva para o nosso problema. Ele postula
que, se o homem é a morte vivendo uma vida humana, a negatividade do homem,
dada na morte em virtude do fato de a morte do homem ser essencialmente voluntária
(resultado de um risco assumido sem necessidade, sem princípios biológicos) é,
no entanto, o princípio da ação. Quer dizer, a ação é essencialmente
negatividade. A partir do momento em que o homem encara a própria morte, ele
não será mais um ser dado, imutável, ele carregará dentro de si a negatividade.
E a força da negatividade o levará para o movimento incessante da história, que
o modifica e sozinho realiza a totalidade do real concreto através do tempo.
Assim, “a manifestação
privilegiada da negatividade é a morte, mas a morte, de fato, não revela nada”.
Para o homem se revelar para si mesmo, ele teria que morrer enquanto se mantém
vivo, assistindo a si mesmo deixar de existir. A morte teria que se tornar
consciente-de-si no momento em que ela aniquila o ser vivente. Nesse sentido,
Bataille irá afirmar que isso seria possível por meio de certos subterfúgios,
como é o caso do sacrifício. No sacrifício, o sacrificador identifica-se
com o animal sacrificado e, assim, morre vendo-se morrer e, de certa forma, por
própria vontade. Na filosofia hegeliana, o homem encontra a verdade humana
sacrificando-se. No sacrifício ele destrói o animal nele mesmo, permitindo a si
e ao animal sobreviverem como a verdade não corporal, que faz do homem um “ser
dentro da morte” (nas palavras de Heidegger) ou “uma morte que vive m vida
humana” (segundo Kojève).
Bataille vai, então,
ver essa confrontação com a morte, que estamos analisando, como uma tentativa
de afirmação da soberania do sujeito, de sua capacidade em libertar-se da
necessidade natural e sacrificar o animal que persiste dentro dele.
Por fim, Hyppolite
mostra como a morte pode parecer algo estranho ao sujeito, algo externo a sua
determinidade, porém, na verdade, provém de fato do próprio vivente. Enquanto
processo da vida, é preciso que ele morra para vir-a-ser. Assim, ao interpretar
nosso trecho, o autor assevera que, se a vida é a posição natural da consciência,
a morte é apenas sua negação natural; a prova suprema por meio da morte suprime
a certeza de si em geral.
Desse modo, voltando ao
texto da Fenomenologia, parece que Hegel nos fornece uma boa chave de
interpretação desse fragmento já na Introdução. Lá, crente de que não haveria
uma revelação do absoluto, mas sim uma produção do absoluto (já que ele propõe
a passagem do pensar representativo para o pensar especulativo), Hegel aponta
para o caminho do “desespero” como via para o alcance do absoluto. Para Hegel,
a idéia de desespero se mostra mais conveniente do que a dúvida já que esta
pode ser vista como o vacilar entre pretensas verdades pra um regresso
posterior a coisa da mesma forma como era tomada antes, sendo apenas uma
“penetração consciente na inverdade do saber fenomenal”,
sem abandono do firme solo a que se agarra a consciência. Por outro lado, o
desespero seria mais do que a fragilização absoluta das imagens do mundo,
seguir tal caminho seria colocar em questão as bases do argumento filosófico,
no modo de concebê-lo, de estruturar o pensamento. Porém, não existe garantia
nenhuma de que esse desespero nos levaria ao saber absoluto, mas apenas ao
ceticismo, o que pode levar a consciência à suspensão do juízo como estratégia
para alcançar um lugar seguro além do desespero. Por isso Hegel afirma que a
dialética deve internalizar esse ceticismo como seu momento inicial, indo além
de seus limites. Hegel também alerta, neste ponto, para o risco da consciência,
diante deste desespero de poder perder tudo o que tem, se fechar em si de tal
forma que nenhuma dúvida seria capaz de colocar o saber em movimento. O remédio
para ambos os riscos apresentados é a compreensão desse processo de negação
como uma passagem e não como um retorno à certeza de si, isto é, como uma
“negação determinada” em que o termo ao realizar-se, ou seja, ao passar ao
campo da experiência, passa no seu oposto, o que é ao mesmo tempo a perda de
seu sentido e a realização de seu sentido. Assim, a morte, que surge na
passagem da consciência à consciência-de-si é exatamente esse processo de
desespero, de completo ceticismo, do “fluidificar-se absoluto de todo o
subsistir”, que se coloca no início do processo da experiência fenomenológica.
A morte, e sua interiorização no processo da vida, abre caminho para essa
seqüência de negações determinadas que constituem a experiência da consciência,
mas que parte agora da completa ausência de determinações naturais, graças à
experiência do medo diante da morte. A consciência deve, então, negar a vida de
maneira determinada, o que implica em compreender a vida como espaço no qual o
negativo pode ser convertido em ser.
Contudo, antes de
tirarmos nossas conclusões finais, analisaremos sinteticamente o processo
dialético desenvolvido no interior do conflito entre o senhor e o escravo e a
função da morte nesse processo, tendo como enfoque as diferentes formas de
enfrentamento da morte pelo senhor e pelo escravo.
Senhor X Escravo: conflito e morte na
consciência-de-si
O conflito esboçado por
Hegel na dialética do senhor e do escavo pode ser entendido como o padrão geral
das lutas por reconhecimento que se desenrolam na sociedade. Por isso que o
desejo de reconhecimento, próprio à consciência-de-si, só pode ser atendido
mediante uma luta de vida ou morte entre consciências.
Assim, como já foi dito
anteriormente, o sujeito independente, consciente-de-si, para afirmar sua
independência, necessita que seu objeto, que também deve ser uma
consciência-de-si, se coloque como dependente dele, isto é, que seus projetos
sirvam unicamente para atender os desejos do primeiro. Pinkard mostra como já
aqui se tem uma situação dialética: por um lado, tem-se o sujeito que
encontraria sua consciência-de-si afirmada no reconhecimento de outro agente,
em que ele só encontraria a si mesmo no outro; por outro lado, ele descobre que
seu senso de independência é dependente do reconhecimento
conferido pelo outro agente, o que parece minar qualquer afirmação de si mesmo
como independente.
Mas, a dialética do
senhor e do escravo, ao mesmo tempo em que é um modo de interação social, é,
também, processo de formação da consciência-de-si. Assim, buscaremos, tal qual
faz Hegel, entender separadamente a perspectiva do Senhor e do Escravo dos
resultados e desdobramentos desse conflito e de seus respectivos processos
formativos.
O Senhor aparece,
inicialmente, como certo de si, por meio da negação de toda alteridade como
essencial. Entretanto, se essa negação do Outro se desse pela via da
destruição, não haveria quem o reconhecesse como consciência autônoma. É pelo
recuo do escravo diante do medo da morte e por sua aceitação (do escravo) da
dominação, que se dará esse reconhecimento. No entanto, como já deve ter ficado
claro acima, esse conceito de reconhecimento não pode, de forma alguma, aspirar
ter validade universal.
O Senhor coloca o Escravo
entre ele e o objeto de seu desejo e, assim, parece estar dependente da coisa,
mas independente do escravo. Não tarda a surgir o grande impasse existencial do
Senhor, em que ele depende da mediação do Outro para realizar uma satisfação
que se quer imediata. Da mesma forma, a verdade da certeza de si do Senhor é
dada por uma consciência definida por ele mesmo como inessencial. Assim sendo,
a verdade de sua independência é pois dependência, a verdade de sua imediatez
não é outra coisa senão mediação. Não há, portanto, verdadeiro reconhecimento
nesse reconhecimento unilateral e desigual.
Por sua vez, a
consciência escrava não tem sua essência em si, pois todo o fruto de seu
trabalho está destinado a satisfazer os desejos do Senhor. Contudo, a
consciência deve perder a si mesmo para poder se reencontrar e, então,
encontrar sua verdade. A consciência escrava, para quem sua essência está
fora-de-si, não reconhece seu agir, pois é para-um-Outro. Porém, nesse momento:
“Essa consciência sentiu a angústia, não
por isto ou aquilo, não por este ou aquele instante, mas sim através de sua
essência toda, pois sentiu o medo da morte, do senhor absoluto. Aí se dissolveu
interiormente; em si mesma tremeu em sua totalidade; e tudo que havia de fixo
nela vacilou. Entretanto, esse movimento universal puro, o fluidificar-se
absoluto de todo o subsistir, é a essência simples da consciência-de-si, a
negatividade absoluta, o puro ser-para-si, que assim é nessa consciência. É
também para ela esse momento do puro ser-para-si, pois é seu objeto no senhor.”
Kojève demonstra bem
como a experiência da angústia perante a morte do Escravo ganha importância
fundamental na filosofia hegeliana com o passar do tempo. Nas Conferências de
1803-1804, Hegel entende que, ao recusar-se a arriscar a vida e se sujeitar ao
outro, a consciência escrava aceita reconhecer sem ser reconhecida. Todavia,
não se arriscar é ficar nos limites da animalidade, o que impedia que esse
processo de reconhecimento tivesse, de fato, o valor humano do reconhecimento.
Por outro lado, na Fenomenologia do Espírito, de 1807, Hegel admite a
humanidade do escravo e, com isso, a validade de seu reconhecimento do senhor.
A humanização do escravo se daria pela angústia da morte que este sente,
tendo consciência de sua finitude.
Assim, o medo diante da
morte, do “senhor absoluto” é a fragilização completa de todos os vínculos da
consciência ao mundo e à imagem de si mesma. Desse modo, a submissão da
consciência a um Outro só terá um caráter formador se ele for capaz de ser a
encarnação da negatividade absoluta, ou seja, da morte. Se a consciência for
capaz de compreender essa angústia como primeira manifestação do espírito,
então ela poderá entrar no “caminho do desespero” colocado por Hegel já na
Introdução e que é, na verdade, a internalização da negatividade como determinação
essencial do ser. Daí podemos deduzir que o medo perante o senhor (a morte) é o
início da sabedoria.
Daqui em diante, Hegel
poderá passar ao trabalho como segundo operador da consciência-de-si e,
posteriormente às figuras do estoicismo, do ceticismo e da consciência infeliz,
dando continuidade ao processo fenomenológico. Entretanto, essas passagens
fogem do escopo deste trabalho.
Conclusão
O esforço de Hegel,
portanto, neste ponto de nosso texto, é mostrar como a consciência vai deixar
de buscar a mera adequação entre conceito e objeto, para procurar a verdade na
própria estrutura da consciência. Dessa forma, o caminho do desespero, iniciado
pela confrontação com a morte, é apenas o primeiro passo para atingir o saber
absoluto. Se a única consciência possível que podemos ter de um objeto é a
consciência do que ele representa para o sujeito, isto é, do que ele é para si;
para apreender a coisa em si precisamos entrar na estrutura que a compreende
desse modo, ou seja, precisamos entender o que se passa dentro da consciência
do sujeito que o faz apreender um objeto de uma determinada maneira. É por isso
que Hegel vai afirmar que toda consciência de objeto está subordinada às
estruturas da autoconsciência. Assim, a esfera da consciência está estritamente
entrelaçada com a consciência-de-si.
“O espírito só tem consciência
porquanto é autoconsciência; isto é, só sei de um objeto, porquanto nele também
sei de mim mesmo, sei que minha determinação consiste em que o que eu sou é
também para mim objeto, em que eu não sou simplesmente isto ou aquilo, mas sou
aquilo que sei. Sei do meu objeto sei de mim; não se devem separar as duas
coisas”
No entanto, vale
ressaltar novamente que o Eu da consciência-de-si é uma estrutura estritamente
relacional, ponto em que
Hegel se descola do postulado idealista “Eu=Eu”. Assim, o
encontro de sujeitos conscientes-de-si, e a percepção da dissonância de
opiniões e projetos entre eles, leva-os a uma luta por reconhecimento, que só
poderia ser solucionada se as partes fossem capazes de assumir um ponto de
vista objetivo, julgando imparcialmente seu próprio ponto de vista. Diante
dessa impossibilidade, a saída para o impasse é a internalização das
diferenças, que passariam a ser entendidas não como oposição, mas como
contradição e, assim, como “identidade entre a identidade e a diferença”. Dessa
forma, a consciência-de-si só pode ser formada uma vez que ela só é
consciência-de-si enquanto é consciência-de-Outro. A partir disso, pode-se
construir um ponto de vista social, uma referência objetiva ao mundo com força
de obrigação intersubjetiva.
O que vemos de fato
operar, neste momento, é o conflito entre sujeitos que querem ver seus desejos
atendidos. O desejo que os sujeitos apresentam nesse confronto passa de um
desejo por objetos sensíveis, a um desejo de vida para, enfim, se revelar como
desejo por reconhecimento, reconhecimento de sua independência e liberdade
perante os outros sujeitos desejantes. Esses sujeitos têm pontos de vista
subjetivos diferentes e, assim, travam uma luta de vida ou morte em nome da
realização desses desejos e da afirmação de suas certezas. Contudo, a morte de
um não pode resolver o conflito, porque a busca em processo é pela verdade, por
uma visão objetiva e não pela imposição de um ponto de vista subjetivo. Desse
modo, a única saída aparente seria a aceitação por um, do ponto de vista do
outro como verdadeiro, por optar pela vida diante do medo da morte; tem início
aí a dialética do senhor e do escravo. O Senhor acredita ter tido sucesso,
garantindo sua independência, reafirmada pelo escravo, porém o que ele reclama
saber de si e do mundo é mediado pelo Escravo. O Escravo qualifica suas
atitudes de acordo com a satisfação do desejo do Senhor, ou seja, o ponto de
vista do Senhor começa a funcionar como impessoal para o Escravo, que ele
poderia assumir como ponto de partida para avaliar a correção de seus próprios
pontos de vista. Entretanto, essa dominação depende da aceitação do Escravo e
de sua constante reafirmação, ou seja, ela é contingente. No momento em que o
Escravo percebe isso, ele se torna capaz de modificar sua consciência-de-si,
mostrando que, o que ele tomava como normativo, é meramente contingencial.
Dessa forma, a luta
travada entre Senhor e Escravo irá marcar de forma definitiva toda a
experiência posterior da consciência-de-si, por sua exposição à pura
negatividade da morte. Não apenas a consciência que é capaz de ver seu
reconhecimento assegurado pela submissão da outra consciência a seus desejos
(Senhor); mas, principalmente, a consciência que é submetida, por recuar diante
do medo da morte (Escravo), adquiri a possibilidade de realmente iniciar o
processo do conhecer, pois ela tremeu diante da morte e viu toda sua certeza de
si esvair-se num completo desaparecer de seus vínculos sensíveis com o mundo.
Essa experiência teria colocado tudo sob questão para ele (Escravo), tudo que
parecia estável e verdadeiro foi posto em xeque pelo fato de ele ter encarado a
morte e escolhido viver, submetendo-se a um Outro (experiência parecida com o
sacrifico descrito por Bataille). Ele, então, nota a contigencialidade de tudo,
inclusive suas próprias crenças, o que permite perceber a contingencialidade da
dominação exercida sobre ele.
Neste momento, tem
início o processo que irá se desenrola na segunda parte da Fenomenologia do
Espírito, que irá culminar com o Saber Absoluto. A consciência tem aqui a
possibilidade de interiorizar a morte em sua experiência de vida, trazendo para
dentro de si a ideia de infinitude de Hegel (objeto que porta em si sua negação
sem com isso se auto-destruir). Assim, o caminho para a verdade estaria aberto,
pela via da constituição da consciência-de-si, que além do desejo e da passagem
pela experiência da morte, teria como operadores o trabalho e a linguagem.
Habermas parece sintetizar bem o que queremos expressar nessa passagem fundamental
da consciência à consciência-de-si em termos de reconhecimento entre
consciências.
“A constituição intesubjetiva de uma
autoconsciência independente mostra a ambas as partes que a objetividade da
experiência e do saber é de natureza social. O sujeito não pode obter uma
verdadeira autoconsciência sem dar conta do caráter social de seu processo de
formação. O que conta ‘para nós’ como saber não se mede pelos ‘meus’ ou ‘teus’
critérios, mas por padrões que merecem reconhecimento de todas as partes. Sem padrões
intersubjetivamente obrigatórios, falta o ponto de vista imparcial, que nos
autoriza a esperar uns dos outros que formemos as mesmas opiniões sobre alguma
coisa no mundo objetivo.
Bibliografia
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tradução de Paulo Menezes. 4ª edição. Petrópolis, RJ: Vozes, 2007.
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tradução de Helder Lourenço. In: Caminhos de Floresta Lisboa : Fundação
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BATAILLE, Georges
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PINKARD,
Terry. “Hegel’s Phenomenology: the sociality of reason”. Cambridge
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